Núcleo Parceiro

A Evidência · Marca como ativo económico

A perceção decide o valor. E o valor compõe-se com o tempo.

Reunimos a ciência revista por pares e os casos públicos documentados que sustentam uma tese incómoda: a marca é um ativo económico de longo prazo, e quem não a constrói está apenas a otimizar o presente. Cada estudo vem com o seu limite à vista, porque é essa honestidade, sobre onde a evidência para, que dá autoridade ao resto.

A tese

Existem dois mercados dentro do mesmo negócio. Há o mercado que se vê, feito de produto, de preço, de especificações. E há o mercado que decide, feito de perceção: a impressão que se forma em milissegundos, que fica guardada na memória e que é convocada no instante da escolha. Uma empresa que gere apenas o primeiro está a gerir o presente. A perceção é o ativo que carrega valor de um trimestre para o seguinte, e de um ano para os próximos.

A tese que defendemos, e que a evidência abaixo fundamenta, tem três degraus. Primeiro: a perceção decide, e decide depressa, antes de o argumento racional entrar. Segundo: a perceção não fica de fora da experiência, entra dentro dela e reconfigura o próprio prazer, a preferência e a escolha, acima do produto em si. Terceiro: essa perceção liga-se a valor financeiro, e esse valor não é um pico, é uma composição lenta que se acumula ao longo de anos.

A NP existe para converter a perceção em ativo financeiro. Quem recusa construir esse ativo não fica neutro. Fica a otimizar o agora, e o agora termina sempre.

A evidência científica

A perceção decide, e decide antes do argumento

O juízo sobre alguém forma-se em cerca de um décimo de segundo. Willis e Todorov mostraram a participantes rostos durante 100 milissegundos e pediram avaliações de traços como competência, simpatia e confiança. Essas avaliações correlacionaram-se fortemente com as feitas sem qualquer limite de tempo. Dar mais tempo, 500 ou 1000 milissegundos, não melhorou de forma significativa as correlações: apenas aumentou a confiança do observador no seu próprio juízo e tornou-o mais negativo. A confiança foi o traço mais robusto de todos (Willis & Todorov, 2006, Psychological Science).

O limiar pode descer ainda mais, mas nem tudo é instantâneo. Bar, Neta e Linz encontraram impressões consistentes a partir da informação dos primeiros 39 milissegundos. A perceção de ameaça já era estável aos 39 milissegundos, mas não aos 26. E a perceção de inteligência não era consistente em exposições tão curtas (Bar, Neta & Linz, 2006, Emotion). A leitura correta não é que tudo se decide num piscar de olhos, é que alguns juízos, os mais primários, chegam antes de qualquer deliberação, e outros pedem mais tempo.

O mesmo padrão aparece nas interfaces. Lindgaard, Fernandes, Dudek e Brown, da Carleton University, mostraram que o apelo visual de uma página web é avaliável em cerca de 50 milissegundos, e que essa avaliação é altamente correlacionada com a que se faz após um escrutínio mais demorado (Lindgaard e colegas, 2006, Behaviour & Information Technology).

Que pouca informação chegue para um juízo estável é uma generalização ampla. A meta-análise de Ambady e Rosenthal sobre thin slices mostrou que amostras breves de comportamento, com menos de cinco minutos, predizem resultados interpessoais objetivos, e que observações mais longas não aumentaram a exatidão. Observações de menos de meio minuto não diferiram das de quatro a cinco minutos. O tamanho de efeito global foi de r = 0,39 (Ambady & Rosenthal, 1992, Psychological Bulletin; reforçado em 1993, Journal of Personality and Social Psychology).

E essa perceção rápida chega a mover a escolha real, com uma condição. Milosavljević, Navalpakkam, Koch e Rangel puseram participantes a escolher alimentos reais e verificaram que a saliência visual influenciou as escolhas mais do que a preferência declarada, mas apenas em decisões rápidas. O enviesamento cresceu com a carga cognitiva e foi mais forte quando as preferências eram fracas (Milosavljević e colegas, 2012, Journal of Consumer Psychology).

A perceção entra dentro da experiência

O passo seguinte é mais forte do que "a embalagem chama a atenção". A perceção de marca altera aquilo que a pessoa efetivamente sente.

McClure e colegas deram a beber Coca-Cola e Pepsi, quase idênticas na composição química, dentro de um aparelho de ressonância magnética funcional. Na entrega anónima, a atividade no córtex pré-frontal ventromedial correlacionava-se com a preferência comportamental. Na entrega com marca visível, o conhecimento da marca de uma das bebidas teve uma influência determinante nas preferências expressas e nas respostas cerebrais medidas (McClure e colegas, 2004, Neuron). A informação de marca, e não a química, reconfigurou a preferência e a própria atividade neural.

A prova do mecanismo tornou-se causal com os doentes com lesão cerebral. Koenigs e Tranel testaram pessoas com lesão no córtex pré-frontal ventromedial, a região que atribui valor simbólico. Nelas, o efeito de marca desapareceu: 71% escolheu a Pepsi rotulada contra 39% a Coca-Cola rotulada, enquanto os grupos de controlo mudavam para a Coca-Cola quando a marca aparecia (Koenigs & Tranel, 2008, Social Cognitive and Affective Neuroscience; VMPC n = 12, comparação com outras lesões n = 16, controlo n = 16). Sem a região que atribui o valor simbólico, a marca deixa de mover a escolha. É a diferença entre observar uma correlação e demonstrar um mecanismo.

O mesmo se vê com o preço, que é um sinal de perceção. Plassmann, O'Doherty, Shiv e Rangel deram a provar vinhos identificados por preços diferentes. O prazer reportado subiu com o preço (r = 0,59, p < 0,001), e a atividade numa região de valoração acompanhou-o. Apresentaram três vinhos como se fossem cinco, repetindo dois com um preço alto e um preço baixo. Sem o preço, numa prova posterior, as diferenças desapareceram (Plassmann e colegas, 2008, PNAS, n = 20).

O fenómeno não é novo nem depende de neuroimagem. Já em 1964, Allison e Uhl deram a bebedores regulares cervejas concorrentes, às cegas e depois com rótulo. Às cegas, não distinguiram significativamente a sua própria marca e avaliaram as cervejas de forma semelhante. Com os rótulos visíveis, a identificação da marca alterou as avaliações a favor das suas marcas (Allison & Uhl, 1964, Journal of Marketing Research, estudo conduzido pela Carling Brewing Company, várias centenas de bebedores).

E a perceção age antes do consumo, não só depois. Lee, Frederick e Ariely serviram uma cerveja normal e uma "cerveja MIT", que levava umas gotas de vinagre balsâmico. Quem foi informado do ingrediente antes de provar gostou menos. Quem só soube depois de provar não alterou significativamente o juízo (Lee, Frederick & Ariely, 2006, Psychological Science). A expectativa moldou a própria experiência sensorial, não foi um dado negativo somado no fim.

A perceção liga-se a valor financeiro

Se a perceção altera a experiência, resta a pergunta que interessa a um administrador: isso chega ao balanço.

Aaker e Jacobson controlaram fatores macroeconómicos e o retorno sobre o investimento e encontraram uma relação positiva entre o retorno da ação e as variações na qualidade percebida. A medida de qualidade percebida continha informação incremental, para além das medidas contabilísticas correntes, sobre o desempenho futuro da empresa (Aaker & Jacobson, 1994, Journal of Marketing Research).

O passo direto para o acionista veio de Madden, Fehle e Fournier. Com a metodologia de carteiras de Fama-French e uma medida de mercado do valor financeiro da marca, mostraram que marcas fortes entregam retornos superiores a um referencial relevante e com menos risco, e que a conclusão se mantém controlando a quota de mercado e a dimensão da empresa (Madden, Fehle & Fournier, 2006, Journal of the Academy of Marketing Science).

A marca também mexe no denominador do risco. Rego, Billett e Morgan analisaram 252 empresas e concluíram que o capital de marca baseado no consumidor se associa a menor risco da firma, e que explica variância nas medidas de risco para além dos modelos financeiros existentes, com efeito mais forte no risco específico da empresa (Rego, Billett & Morgan, 2009, Journal of Marketing; dados de 2000 a 2006).

Convém a proporção certa, e a evidência dá-a com humildade. A meta-análise de Edeling e Fischer reuniu 488 elasticidades de 83 estudos, ao longo de quatro décadas e quatro continentes. A elasticidade média dos ativos de marketing foi de 0,54, muito acima da publicidade isolada, de 0,04. Dentro dos ativos, porém, o cliente pesou mais, cerca de 0,72, do que a marca, cerca de 0,33. As elasticidades dos ativos foram maiores em recessão (Edeling & Fischer, 2016, Journal of Marketing Research).

Há um enquadramento teórico que explica o porquê. Srivastava, Shervani e Fahey propuseram que os ativos baseados no mercado aumentam o valor do acionista de quatro formas: aceleram os fluxos de caixa, aumentam-nos, reduzem a sua volatilidade e vulnerabilidade, e elevam o valor residual do negócio (Srivastava, Shervani & Fahey, 1998, Journal of Marketing). E a revisão de Srinivasan e Hanssens sintetizou o campo, cobrindo explicitamente o capital de marca entre as vias por que o marketing cria valor para a empresa (Srinivasan & Hanssens, 2009, Journal of Marketing Research).

Como pano de fundo, e apenas isso, o valor das empresas migrou do físico para o intangível. O estudo IAMV da Ocean Tomo estima que os intangíveis representem cerca de 92% do valor de mercado do S&P 500 em 2025, contra 17% em 1975.

Como esse valor se constrói: disponibilidade mental e distinção

Saber que a marca é um ativo não diz como se edifica. A escola do Ehrenberg-Bass dá a resposta operacional.

Romaniuk e Sharp redefiniram a saliência de marca para além do "estar no topo da mente": é a propensão da marca para ser notada ou vir à mente nas situações de compra, refletindo a quantidade e a qualidade da rede de estruturas de memória do comprador (Romaniuk & Sharp, 2004, Marketing Theory). E Romaniuk modelou essa rede: quantas mais associações a marca tem, mais provável é ser escolhida, e a dimensão da rede associativa alinha-se com a dimensão da marca no mercado (Romaniuk, 2013, Journal of Business Research).

A publicidade alimenta essa disponibilidade. Vaughan, Corsi, Beal e Sharp verificaram que a disponibilidade mental é superior entre quem tem consciência da publicidade da marca, tanto utilizadores como não-utilizadores, com efeito maior entre os não-utilizadores (Vaughan e colegas, 2021, International Journal of Market Research).

Há uma lei empírica por baixo de tudo isto. A Dupla Penalização: marcas de menor quota são penalizadas duas vezes, têm muito menos compradores e uma lealdade ligeiramente menor (Ehrenberg, Goodhardt & Barwise, 1990, Journal of Marketing, sobre uma observação de McPhee, 1963). O corolário é duro para quem vende sonhos de "clientes fiéis": o crescimento vem sobretudo de aumentar a penetração, de ser escolhida por mais gente, não de aprofundar um núcleo pequeno.

E há a forma de tornar a marca reconhecível sem se confundir com as outras. Romaniuk propõe medir cada ativo distintivo por Fama, quantos o associam à marca, e Singularidade, com que exclusividade, sem confusão com concorrentes (Romaniuk, 2018, Building Distinctive Brand Assets, Oxford University Press). Para ser comprada, a marca tem de vir à mente nas situações de compra, os Category Entry Points, e as marcas maiores ligam-se a mais dessas situações (Romaniuk & Sharp, 2016, How Brands Grow Part 2, Oxford University Press).

Os casos reais comprovados

Os estudos dão a lei. Os casos dão a cor. Valem menos em rigor, porque são anedóticos e cheios de fatores confundentes, e por isso mapeamos cada um ao princípio que ilustra, com a ressalva à vista.

Coca-Cola e Pepsi, o princípio de que a marca reconfigura a preferência. É o único caso que também é ciência revista por pares, e por isso o mais sólido: McClure (2004) e Koenigs e Tranel (2008), já acima. A etiqueta muda o que o cérebro faz, e sem a região que atribui valor simbólico o efeito some.

Liquid Death, o princípio de que o preço-prémio vive na identidade quando o produto é indistinguível. É água enlatada, fundada em 2018 por Mike Cessario. Foi avaliada em 1,4 mil milhões de dólares numa ronda de 67 milhões em março de 2024, o dobro dos 700 milhões de outubro de 2022, e registou 263 milhões de dólares em vendas a retalho em 2023, em 113 mil pontos de venda (BusinessWire, Retail Dive).

Apple, o princípio de que a perceção sustenta margens ao longo do tempo. No exercício de 2024, a margem bruta total foi de 46,2%, com os produtos por volta de 37% (Apple Inc., Form 10-K, exercício de 2024, arquivado na SEC), acima da referência habitual do setor de hardware.

Red Bull, o princípio de que o valor está no método, não no líquido. Fundada por Dietrich Mateschitz em 1987, com um único produto adaptado de uma bebida tailandesa, construiu presença por táticas documentadas: gestores de marca estudantes, amostragem gratuita e a apropriação de desportos radicais, com eventos próprios e atletas patrocinados.

Tesla, o princípio de que uma marca forte pode crescer com pouca publicidade tradicional. Durante mais de uma década, até cerca de 2023, a Tesla praticamente não investiu em publicidade tradicional, apoiando-se no produto, no passa-palavra e no fundador. Colocamo-lo por último de propósito, porque é o mais frágil dos cinco.

A reflexão do futuro

Onde estará a sua empresa daqui a 5 anos?

Toda a evidência anterior converge numa decisão que se toma hoje e se paga daqui a anos.

Construir marca é comprar uma opção sobre o futuro. Paga-se um custo agora por um direito que só rende mais tarde, e cujo valor cresce com o horizonte. A ativação, os anúncios de resposta imediata, a promoção, o desconto, colhe procura que já existe. A construção de marca planta memória em quem ainda não está a comprar, mas vai estar. A empresa que gasta apenas em ativação está a colher um campo que nunca semeia.

A ciência da eficácia mostra isto com números. Binet e Field analisaram 996 casos de eficácia entrados entre 1980 e 2010, cobrindo cerca de 700 marcas e 83 setores. A ativação produz picos de vendas curtos, que decaem. A construção de marca produz um efeito mais lento, mas durável, que se acumula. As campanhas de construção de marca, de natureza mais emocional, são cerca de duas vezes mais prováveis de gerar crescimento de lucro sustentado do que as puramente racionais. O equilíbrio que maximiza o número de efeitos de negócio ronda os 60% em construção de marca e 40% em ativação, reafirmado em 2017 (Binet & Field, The Long and the Short of It, IPA, 2013; Media in Focus, IPA e Thinkbox, 2017). E há um mecanismo de crescimento associado: quando a quota de voz de uma marca excede a sua quota de mercado, ela tende a crescer, na ordem de meio ponto de quota por ano por cada dez pontos de excedente. A notoriedade e a qualidade criativa amplificam materialmente essa eficiência.

Existe, porém, a prova causal, e é peer-reviewed. Lodish e colegas correram 55 experiências de mercado com split-cable, comparando agregados de consumidores emparelhados que recebiam pesos de publicidade diferentes, com um ano de exposição diferenciada e dois anos de seguimento. A conclusão, na letra dos autores: quando o aumento de peso publicitário teve impacto significativo no ano do aumento, nos dois anos seguintes o efeito de vendas do primeiro ano foi, em média, aproximadamente o dobro (Lodish e colegas, 1995, Marketing Science). O retorno persiste muito para além do momento em que se gasta.

E há a razão pela qual isto é uma decisão sobre o futuro, e não sobre o presente. Em muitas categorias, a maior parte dos compradores não está no mercado agora. A regra dos 95 para 5, do Ehrenberg-Bass com o B2B Institute, estima que em qualquer momento apenas cerca de 5% dos compradores potenciais estejam efetivamente em mercado, e cerca de 95% estejam fora. Deriva da frequência de compra: um ciclo de recompra de cerca de cinco anos dá cerca de 20% por ano, cerca de 5% por trimestre. O papel da marca é plantar a memória nos 95% que não compram hoje, para que a marca esteja lá quando eles entrarem em mercado (Dawes, Ehrenberg-Bass e LinkedIn B2B Institute, 2021).

Junte estes três factos. A perceção decide a escolha. A perceção compõe-se na memória ao longo de anos. E a maioria dos seus futuros clientes ainda não decidiu. A conclusão é geométrica: daqui a cinco anos, duas empresas com o mesmo produto não valerão o mesmo. A que construiu disponibilidade mental será a que vem à cabeça no instante da decisão, a opção por defeito, a que não precisa de justificar o preço. A outra competirá em desconto, todos os trimestres, contra quem semeou a tempo. Essa distância é a composição a acontecer.

Otimizar apenas o presente é uma decisão, mesmo quando é a decisão de não decidir. Rende no trimestre e empobrece no horizonte. A marca é o único ativo que trabalha enquanto a empresa dorme, e é por isso que construímos marcas que vivem mais tempo do que as agências que as fizeram.

O que este estudo não prova

A integridade do método obriga a dizer onde a evidência para, e é isto que separa uma conclusão de uma brochura.

A maior parte da evidência direta é correlacional, não experimental. Os estudos financeiros, de Aaker e Jacobson a Madden, Fehle e Fournier, mostram associação, não causalidade, e sofrem de viés de seleção, medem marcas que já são grandes. As peças causais são estreitas: Lodish é de bens de grande consumo e televisão nos anos 90, Koenigs e Tranel tem amostra pequena e uma só categoria.

A evidência de longo prazo mais citada é de indústria, não revista por pares. Binet e Field assentam em casos de prémios, a regra dos 95 para 5 é uma heurística que varia por categoria, e os 92% de intangível da Ocean Tomo são de fonte comercial e não são 92% de marca.

A marca não é o ativo intangível mais forte que se mediu. Edeling e Fischer encontraram uma elasticidade do cliente superior à da marca. Dizemos isto porque é verdade.

Os estudos de neurociência e experiência provam que a perceção entra na experiência e move a escolha, mas não quantificam valor económico, e o efeito de marca é assimétrico, em McClure só a etiqueta com capital cultural real moveu o comportamento, e condicional, em Milosavljević domina em decisões rápidas e com preferência fraca, cedendo quando a preferência é forte.

Os casos de marca são anedóticos e cheios de fatores confundentes, e assinalámo-los um a um. A história das latas da Red Bull é uma lenda, e não a usamos.

A tese honesta é esta, sem inflação: uma marca genuinamente construída e percebida como distinta e de qualidade torna-se um ativo que altera a experiência real e antecipa valor económico. Mas tem de ser construída, não decretada. O que é igual não tem autoridade, e nenhuma das evidências acima salva quem escolhe ser igual.

Da evidência ao método

A ciência acima descreve o que decide o valor. O que se segue é como a Núcleo Parceiro o mede, porque uma tese sem instrumento é apenas uma opinião com boa apresentação.

A Escuta Estratégica, a primeira conversa antes de qualquer proposta, diagnostica os três eixos onde a perceção se converte, ou não, em ativo. Não lemos gosto. Lemos o que a evidência mostrou que decide.

Cognitivo. A perceção forma-se nos primeiros instantes e enviesa a escolha, como mostram Willis e Todorov, Lindgaard e McClure. Lemos o que a sua marca diz antes da primeira palavra: se sobrevive ao teste dos primeiros segundos ou se desaparece nele.

Social. A escolha liga-se a pertença, a prova e à disponibilidade mental. A perceção entra na experiência, e a marca é escolhida quando vem à mente, como estabelecem Romaniuk e a escola do Ehrenberg-Bass. Lemos os sinais que dizem a quem chega que não decide sozinho, e se a sua marca vem à cabeça na situação de compra ou se é confundível. O que é igual não tem autoridade, e medimos a distância a que está de ser igual.

Organizacional. A perceção só se sustenta se a marca for coerente em cada superfície onde vive. Lemos se a mesma marca aparece igual e íntegra em todo o lado, ou se se desfaz entre canais.

E enquadramos os três não no que rendem este trimestre, mas no que compõem daqui a anos, porque o valor da marca é de longo prazo, como mostram Binet e Field, Lodish e a regra dos 95 para 5.

Cada eixo é auditável. Não entregamos uma opinião, entregamos uma leitura com rastreabilidade: onde está hoje, porque está aí, e o que move o número. É a mesma diferença que, ao longo deste estudo, separa uma conclusão de uma brochura.

Se dirige uma empresa e leu até aqui, a pergunta deixou de ser se a marca é um ativo. Passou a ser onde está a sua hoje, e para onde compõe daqui a cinco anos. É exatamente isso que uma Escuta Estratégica existe para diagnosticar, antes de qualquer proposta. Fale connosco quando quiser fazer essa conta com rigor.

Marcar uma Escuta Estratégica

Fontes

Todas as referências foram verificadas na fonte primária ou institucional. Os intervalos de páginas e os identificadores digitais são os das publicações originais.

Perceção e juízo rápido

  1. Willis, J., & Todorov, A. (2006). First Impressions: Making Up Your Mind After a 100-Ms Exposure to a Face. Psychological Science, 17(7), 592–598. Fonte
  2. Bar, M., Neta, M., & Linz, H. (2006). Very First Impressions. Emotion, 6(2), 269–278. Fonte
  3. Lindgaard, G., Fernandes, G., Dudek, C., & Brown, J. (2006). Attention web designers: You have 50 milliseconds to make a good first impression! Behaviour & Information Technology, 25(2), 115–126. Fonte
  4. Milosavljević, M., Navalpakkam, V., Koch, C., & Rangel, A. (2012). Relative visual saliency differences induce sizable bias in consumer choice. Journal of Consumer Psychology, 22(1), 67–74. Fonte
  5. Ambady, N., & Rosenthal, R. (1992). Thin Slices of Expressive Behavior as Predictors of Interpersonal Consequences: A Meta-Analysis. Psychological Bulletin, 111(2), 256–274. Fonte
  6. Ambady, N., & Rosenthal, R. (1993). Half a Minute: Predicting Teacher Evaluations From Thin Slices of Nonverbal Behavior and Physical Attractiveness. Journal of Personality and Social Psychology, 64(3), 431–441. Fonte

Marca e perceção alteram a experiência

  1. McClure, S. M., Li, J., Tomlin, D., Cypert, K. S., Montague, L. M., & Montague, P. R. (2004). Neural Correlates of Behavioral Preference for Culturally Familiar Drinks. Neuron, 44(2), 379–387. Fonte
  2. Koenigs, M., & Tranel, D. (2008). Prefrontal cortex damage abolishes brand-cued changes in cola preference. Social Cognitive and Affective Neuroscience, 3(1), 1–6. Fonte
  3. Plassmann, H., O'Doherty, J., Shiv, B., & Rangel, A. (2008). Marketing actions can modulate neural representations of experienced pleasantness. PNAS, 105(3), 1050–1054. Fonte
  4. Allison, R. I., & Uhl, K. P. (1964). Influence of Beer Brand Identification on Taste Perception. Journal of Marketing Research, 1(3), 36–39. Fonte
  5. Lee, L., Frederick, S., & Ariely, D. (2006). Try It, You'll Like It: The Influence of Expectation, Consumption, and Revelation on Preferences for Beer. Psychological Science, 17(12), 1054–1058. Fonte

Perceção e valor financeiro / de longo prazo

  1. Aaker, D. A., & Jacobson, R. (1994). The Financial Information Content of Perceived Quality. Journal of Marketing Research, 31(2), 191–201. Fonte
  2. Madden, T. J., Fehle, F., & Fournier, S. (2006). Brands Matter: An Empirical Demonstration of the Creation of Shareholder Value Through Branding. Journal of the Academy of Marketing Science, 34(2), 224–235. Fonte
  3. Edeling, A., & Fischer, M. (2016). Marketing's Impact on Firm Value: Generalizations from a Meta-Analysis. Journal of Marketing Research, 53(4), 515–534. Fonte
  4. Rego, L. L., Billett, M. T., & Morgan, N. A. (2009). Consumer-Based Brand Equity and Firm Risk. Journal of Marketing, 73(6), 47–60. Fonte
  5. Srivastava, R. K., Shervani, T. A., & Fahey, L. (1998). Market-Based Assets and Shareholder Value: A Framework for Analysis. Journal of Marketing, 62(1), 2–18. Fonte
  6. Srinivasan, S., & Hanssens, D. M. (2009). Marketing and Firm Value: Metrics, Methods, Findings, and Future Directions. Journal of Marketing Research, 46(3), 293–312. Fonte
  7. Ocean Tomo (J.S. Held). (2025). Intangible Asset Market Value (IAMV) Study. Fonte · Comunicado: Fonte

Disponibilidade mental e distinção

  1. Romaniuk, J., & Sharp, B. (2004). Conceptualizing and measuring brand salience. Marketing Theory, 4(4), 327–342. Fonte
  2. Romaniuk, J. (2013). Modeling mental market share. Journal of Business Research, 66(2), 188–195. Fonte
  3. Vaughan, K., Corsi, A. M., Beal, V., & Sharp, B. (2021). Measuring advertising's effect on mental availability. International Journal of Market Research, 63(5). Fonte
  4. Ehrenberg, A. S. C., Goodhardt, G. J., & Barwise, T. P. (1990). Double Jeopardy Revisited. Journal of Marketing, 54(3), 82–91. Fonte
  5. Romaniuk, J. (2018). Building Distinctive Brand Assets. Oxford University Press. Fonte
  6. Romaniuk, J., & Sharp, B. (2016). How Brands Grow Part 2. Oxford University Press. Fonte

Curto prazo, longo prazo e a reflexão do futuro

  1. Binet, L., & Field, P. (2013). The Long and the Short of It: Balancing Short and Long-Term Marketing Strategies. IPA. Fonte
  2. Binet, L., & Field, P. (2017). Media in Focus: Marketing Effectiveness in the Digital Era. IPA e Thinkbox. Fonte
  3. Lodish, L. M., Abraham, M. M., et al. (1995). A Summary of Fifty-Five In-Market Experimental Estimates of the Long-Term Effect of TV Advertising. Marketing Science, 14(3, Part 2), G133–G140. Fonte
  4. Dawes, J. (2021). The 95-5 Rule. Ehrenberg-Bass Institute e LinkedIn B2B Institute. Fonte · Fonte

Casos documentados

  1. Liquid Death. Ronda de financiamento e avaliação: BusinessWire (10 de março de 2024), Fonte · Retail Dive, Fonte
  2. Apple Inc. (2024). Form 10-K, exercício de 2024. U.S. Securities and Exchange Commission. Fonte