É das perguntas mais diretas que nos chegam, e é justa: quem dirige uma empresa precisa de orçamentar antes de decidir. Escreva "quanto custa um logótipo" num motor de busca e recebe de tudo, de vinte e cinco euros a mais de dez mil. O que se segue não é recusa em falar de dinheiro. É a explicação de porque essa dispersão, de várias centenas de vezes entre os extremos, não é desordem: mede o âmbito do trabalho, não a sua qualidade, e a palavra logótipo esconde objetos que não são a mesma coisa.

O mesmo nome, preços que variam centenas de vezes

Vale a pena olhar para os números que o mercado português publica, porque a forma como se distribuem já conta a história.

Nas plataformas de tarefas, o design de um logótipo começa nos vinte e cinco euros, com uma média à volta dos cento e setenta, segundo os valores da Fixando. Nas plataformas de angariação sobe: a Zaask, que agrega os orçamentos de milhares de profissionais, aponta um custo médio de trezentos e cinquenta euros e um intervalo provável entre duzentos e mil e quinhentos, com os projetos mais elaborados acima dos setecentos. E quando se abre a tabela de um estúdio, o teto muda de escala. A DEMARCA, um estúdio português, publica de duzentos a mais de cinco mil euros para um logótipo, e de trezentos a mais de dez mil para uma identidade visual completa.

Repare no que aconteceu à pergunta pelo caminho. Nos vinte e cinco euros, compra-se um ficheiro. Nos dez mil, compra-se um sistema: o logótipo, as suas variações, a tipografia, a paleta, as regras de aplicação e o raciocínio que as sustenta. É o mesmo substantivo a designar dois objetos diferentes. Orçar um pelo preço do outro é comparar uma chave com uma casa porque as duas abrem a porta.

O limite: isto são preços de montra, não o que se paga

Antes de tirar conclusões destes números, convém dizer o que eles são, porque é aqui que quase toda a gente tropeça. Nenhuma destas fontes mede o que as empresas efetivamente pagam. A Zaask agrega orçamentos dados por profissionais que angariam clientes pela plataforma, o que enviesa para o freelancer e o pequeno estúdio que competem por lá. A Fixando é uma plataforma de tarefas, e as tarefas puxam para o fundo. A tabela do estúdio é um preço de montra. São propostas, não transações, e não abrangem as consultorias que nunca aparecem nestas listas. Servem para ver a amplitude do âmbito, não para fixar um valor de referência. Quem cita "o preço médio de um logótipo em Portugal" como se fosse um dado de mercado está a repetir uma média de anúncios.

Porque o preço baixo compra outra coisa

A tentação, perante a dispersão, é concluir que o mercado é caótico e que o mais barato serve. Serve, para o que é. A questão é saber o que é.

Um serviço de design internacional, a ManyPixels, é claro sobre o que se recebe na base da escala: uma cotação de cinquenta a cem dólares é quase sempre um modelo retrabalhado, não um desenho à medida. Traduzindo para o que interessa a quem assina o cheque, por esse valor compra-se uma forma que já existia, à qual se troca o nome e a cor. Funciona como marca de água num documento. Não funciona como o único sinal que distingue a sua empresa das outras que fazem exatamente o mesmo.

E é aqui que o assunto deixa de ser estética e passa a ser posição competitiva. Um logótipo saído de um modelo pronto é, por definição, indistinto: existe em dezenas de negócios que compraram o mesmo modelo. O que é igual não tem autoridade. O preço baixo não é um logótipo barato; é a compra de um passivo que se paga mais tarde, quando a marca precisa de ser reconhecida e não é, ou de ser defendida e não tem como.

O que um logótipo faz, quando está bem feito

Se o desenho fosse decoração, o preço seria só uma questão de gosto e de horas. Não é, e há trabalho medido que o mostra.

Em 1998, Pamela Henderson e Joseph Cote publicaram no Journal of Marketing uma análise de cento e noventa e cinco logótipos, calibrados em treze características de desenho. O que encontraram é o mais relevante para quem decide um orçamento: as características do desenho determinam três coisas de uma vez, o reconhecimento correto da marca, um falso sentido de já a conhecer, e o afeto que ela desperta. E produzem esse efeito mesmo em logótipos que o observador nunca viu. Por outras palavras, um logótipo bem desenhado faz uma empresa nova parecer familiar e confiável antes de ter feito nada para o merecer. Um logótipo mal desenhado faz o contrário: uma empresa sólida parece amadora à entrada.

E o juízo é quase instantâneo. O trabalho de Gitte Lindgaard e colegas, de 2006, mostrou que a avaliação visual de uma interface se forma em cerca de cinquenta milissegundos e praticamente não muda com mais tempo de exposição. Mede páginas web, não logótipos, e não mede compra, por isso não se lhe pode pedir mais do que dá. O que dá é suficiente para o argumento: a primeira leitura da sua marca acontece antes de a primeira palavra ser lida.

E onde a evidência não chega

Aqui é preciso travar, porque este é o terreno onde o nosso setor mais exagera. O estudo de Henderson e Cote mede reconhecimento e afeto em contexto controlado, não vendas nem receita: mostra o que um bom desenho tende a produzir na cabeça de quem olha, não que esse desenho encha a caixa. As recomendações que dele saem são probabilísticas, não garantias. E os números redondos que circulam nas apresentações, a cor que aumentaria o reconhecimento em oitenta por cento, a consistência que somaria vinte e três por cento à receita, não resistem a quem lhes vai à origem: uns não têm publicação primária localizável, outros são inquéritos de fornecedores sobre o produto que os próprios vendem. Um logótipo bonito não vende sozinho. O que ele faz, e isso é mensurável, é decidir a perceção com que tudo o resto começa.

O logótipo é um ativo, e um ativo também pode subtrair

Há uma razão para tratar isto como investimento e não como despesa, e ela está na definição mais citada da disciplina. Em 1991, David Aaker definiu o valor de marca como o conjunto de ativos, e de passivos, ligados ao nome e ao símbolo, que acrescentam ou subtraem valor. A palavra que quase toda a gente ignora é a segunda. Uma identidade indistinta não vale zero. Vale menos que zero, porque desconta cada contacto que a empresa tem com o mercado.

O reverso confirma-o, e há casos públicos que o documentam sem ser preciso inventar nenhum cliente. Em janeiro de 2009, a Tropicana substituiu a identidade da sua embalagem principal e abandonou o ícone reconhecível, a laranja com a palhinha, por um desenho novo. As vendas em unidades caíram cerca de vinte por cento em menos de dois meses, segundo o Advertising Age com dados da Information Resources, e a empresa reverteu a embalagem ainda em fevereiro. É embalagem, não apenas o logótipo, e é um caso, não uma lei, mas o sinal é claro: mexer mal num símbolo com equity tira dinheiro real da caixa. No mesmo registo, a Gap apresentou um logótipo novo em outubro de 2010 e reverteu-o seis dias depois, perante uma reação que não teve de esperar por relatório nenhum. O número de cem milhões que se lhe atribui é folclore sem fonte, e por isso não o usamos.

Reunimos mais casos deste tipo, marcas conhecidas com dados públicos, na secção da Evidência, precisamente porque provam princípios sem depender de resultados de clientes que uma casa nova ainda não tem para mostrar.

E há um custo real que a tabela de desenho não inclui e que confirma que o logótipo é património, não enfeite: registá-lo. Uma marca da União Europeia custa oitocentos e cinquenta euros pela primeira classe no pedido online, valor oficial da EUIPO, e o registo nacional no Instituto Nacional da Propriedade Industrial tem a sua própria taxa por classe. Um logótipo que não está registado não é seu de forma defensável; é uma forma que outro pode usar amanhã. Isso não é uma linha da fatura do design. É a diferença entre ter um ativo e ter apenas um desenho.

Por isso não lhe damos um número de tabela

Voltemos à pergunta do início, agora com o que falta para lhe responder a sério. Não lhe damos um preço à cabeça porque ainda não sabemos o que estaríamos a orçar. Não sabemos se o seu problema é um logótipo que envelheceu, uma identidade que nunca chegou a ser sistema, ou uma marca reconhecível que não se deve tocar, apenas ordenar. Não sabemos o que a sua perceção atual lhe está a subtrair, nem em que ponto do seu negócio isso pesa mais. E como tudo o que fazemos é criado de raiz, não há valor de prateleira para lhe apresentar, do mesmo modo que não há resposta de prateleira para um problema que ainda não foi ouvido.

O que orçamos não é um logótipo. É a arquitetura de perceção que a sua empresa passa a poder defender: o símbolo, o sistema à volta dele, e a rastreabilidade que permite justificar cada decisão perante quem paga. É esse o objeto da criação de logótipos na NP, e a peça inicial de um trabalho de branding e identidade mais amplo quando o caso o pede.

O passo seguinte não é um orçamento. É uma Escuta Estratégica: uma primeira conversa, sem compromisso, em que ouvimos o negócio antes de propor o que quer que seja, e da qual sai um valor real com o diagnóstico que o justifica. Escreva-nos por aqui e deixe o Conselho mostrar-lhe o Método.

Fontes

Cada número deste artigo foi verificado na fonte que o publica. Onde a fonte é uma proposta de mercado e não uma medição, ou onde a leitura corrente exagera o que o estudo sustenta, dizemo-lo no corpo do texto.

  1. Zaask, 'Quanto custa um logótipo?' (custo médio e intervalos, orçamentos agregados de profissionais)
  2. Fixando, 'Design de Logótipos, preço' (a partir de 25 euros, média de 171)
  3. DEMARCA Design, 'Criação de Logos: Preços' (tabela de estúdio, logótipo e identidade)
  4. ManyPixels, 'How Much Does Graphic Design Cost?' (o preço baixo é um modelo retrabalhado)
  5. Henderson & Cote (1998), 'Guidelines for Selecting or Modifying Logos', Journal of Marketing 62(2), 14-30
  6. Lindgaard, Fernandes, Dudek & Brown (2006), Behaviour & Information Technology 25(2)
  7. Aaker (1991), Managing Brand Equity, Free Press
  8. Zmuda, N. (2009), 'Tropicana Line's Sales Plunge 20% Post-Rebranding', Advertising Age (dados IRI)
  9. Bloomberg (2010), 'Gap Revives Blue-Box Logo as Customers Pan Redesign'
  10. Justiça.gov.pt / EUIPO / INPI, 'Quanto custa registar marcas ou outros sinais'