Há uma pergunta que fecha quase todas as reuniões de marca no mercado, e é a pergunta errada: gosta ou não gosta. A identidade de uma empresa não existe para agradar a quem a aprova. Existe para produzir um efeito preciso na cabeça de quem a empresa quer conquistar. Decidir por gosto é confundir o alvo com o atirador.

A Núcleo Parceiro (NP) trabalha a partir de um princípio diferente. Não decidimos por intuição nem por tendência. Recolhemos dados primários junto do público real do cliente, tratamo-los com rigor e interpretamo-los sob uma lente psicológica e de gestão. Só depois desenhamos. A esse protocolo chamamos o Método Científico de Marca.

Porque é que o gosto engana

O primeiro fundamento vem da psicologia da decisão. Daniel Kahneman propôs que o pensamento opera em dois modos. O Sistema 1 é rápido, automático, intuitivo e movido por associação emocional. O Sistema 2 é lento, deliberado e analítico. A maior parte das decisões de marca, a sensação de confiança, a escolha de um fornecedor, a intenção de avançar, acontece sob domínio do Sistema 1.

Sistema 1 e Sistema 2. O pensamento rápido e emocional governa a maioria das decisões; o pensamento lento e analítico atua muitas vezes só para racionalizar o que o primeiro já decidiu. Fonte: Kahneman, D. (2011), Thinking, Fast and Slow, Farrar, Straus and Giroux.

A consequência é incómoda para quem decide por gosto. Se o cliente do seu cliente reage primeiro pela emoção e só depois procura razões, então a identidade da marca tem de comunicar com esse modo intuitivo antes de qualquer argumento. E aquilo que agrada a quem aprova internamente não é, quase nunca, o mesmo que ativa a decisão de quem está do lado de fora.

Decidir a marca sem dados do público é aceitar que se pode estar sistematicamente errado sobre o que esse público sente.

A emoção não é o oposto da razão

O segundo fundamento aprofunda o primeiro. António Damásio mostrou que decisões aparentemente racionais são moduladas por respostas afetivas inconscientes ancoradas em memória corporal, a que chamou marcadores somáticos. A emoção não atrapalha a razão: é a base sobre a qual a razão trabalha.

Aplicado à marca, isto tem uma implicação direta. A paleta de cores, a tipografia e o tom de uma identidade não são ornamentos. São estímulos que ativam, ou não, os marcadores afetivos compatíveis com a posição que a empresa quer ocupar. É por isso que, na NP, a cor de um projeto nunca é escolhida por preferência: é escolhida pelos marcadores que ativa no público identificado durante a pesquisa. A pesquisa precede o desenho, sempre.

A estruturação e execução dos nossos serviços é uma conclusão, não uma proposta. Cada decisão, seja visual, verbal ou de gestão, carrega uma justificação documentada. Princípio metodológico da Núcleo Parceiro

O modo NP: um processo científico com saída criativa

É aqui que a NP se distingue de uma agência. O que nos separa não é a criatividade final, é o caminho até ela. O Método Científico de Marca é um processo científico com saída criativa: a conclusão é criativa, o percurso é rigoroso. Cada serviço tem um fundamento e uma função.

A Imersão Organizacional garante que a intervenção parte do real, e não de suposições sobre o cliente. A Pesquisa de Opinião assegura que o posicionamento assenta em dados do público, e não em impressões internas. O Benchmarking Competitivo situa a marca face ao mercado. E a Arquitetura Visual traduz tudo isto em decisões de forma que produzem o efeito percetivo pretendido nos primeiros instantes de contacto.

Não existe, no método NP, decisão de design sem um argumento de perceção documentado por trás dela.

O que o cliente recebe não é, portanto, uma preferência bem embrulhada. É uma conclusão que pode ser explicada, defendida perante um acionista e verificada. Quando alguém pergunta porque é que a marca ficou assim, existe uma resposta que não depende do gosto de ninguém. Essa é a diferença entre uma escolha estética e uma decisão fundamentada.

Perguntas frequentes

O que é o Método Científico de Marca da Núcleo Parceiro?

É o protocolo interno da Núcleo Parceiro (NP) que traduz evidência científica em decisão de marca. Recolhe dados primários junto do público real, interpreta-os sob lente psicológica e de gestão, e só depois desenha. A conclusão é criativa; o caminho é rigoroso.

Por que é que as decisões de marca não devem ser tomadas por gosto?

Porque a maioria das decisões de compra opera de forma intuitiva e emocional, não racional. Decidir a identidade por preferência pessoal ignora como o público realmente percebe a marca, e aceita o risco de estar sistematicamente errado.

Que fundamentos científicos sustentam o método NP?

Entre outros, os dois sistemas de pensamento de Kahneman, os marcadores somáticos de Damásio e a investigação sobre perceção em milissegundos. Cada decisão visual é justificada pelo sinal que envia ao público-alvo identificado.